Brincar é coisa muito séria, pois favorece a socialização das crianças, oferecendo-lhes oportunidades de realizar atividades coletivas e livres, além de ter efeitos positivos para o processo de aprendizagem. Nesse contexto, elas aprendem a dividir, a compartilhar, a internalizar regras, a respeitar a si e o outro, estimulando o desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas e psíquicas, as quais contribuem para a aquisição de novos conhecimentos.
Seria ideal que todas as crianças pudessem brincar, mas com as mudanças tecnológicas e com o aumento da violência nas grandes cidades, elas realizam cada vez menos, atividades que exercitam a imaginação e a criatividade. E as brincadeiras chamadas populares, como jogar bola, pular amarelinha, rodar pião, pular corda e outras; podemos continuar chamando de populares?
As crianças passaram a se envolver cada vez mais em atividades menos dinâmicas e menos comunicativas. Passam a maior parte do tempo nos videogames, jogos de computadores e se entretendo com a internet, confinadas a um isolamento que pode propiciar dificuldades no relacionamento com outras pessoas, além de levá-las a ignorar o mundo que acontece fora de seus quartos.
As brincadeiras que exercitam a imaginação e a criatividade contribuem para o desenvolvimento de habilidades que são fundamentais para o ser humano impulsionar-se para a vida e transformar o mundo a sua volta. É imprescindível estimulá-las na infância, pois com o passar do tempo, essas habilidades se ampliam para a criação de coisas como as invenções, a ciência e as soluções para os seus problemas cotidianos. Para alguns educadores, a inteligência está na capacidade do sujeito de criar soluções para os seus problemas.
Na brincadeira a criança tem a oportunidade de elaborar situações indistintas (como algo que aconteceu com os pais, irmãos ou colegas). Como não consegue expressar seus sentimentos através da fala - pois ainda não tem esse domínio como o adulto - ela elabora esses sentimentos na brincadeira, expressando e descarregando emoções de alegria, tristeza, raiva, medo e outras.
Teóricos e educadores ressaltam a importância da brincadeira no processo de aprendizagem e socialização, pois acreditam que o lúdico é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, não sendo, apenas, uma forma de entretenimento para gastar energia, mas meios que contribuem e enriquecem seu desenvolvimento.
Diante disso, ressalta-se a importância do papel dos adultos que mediam a inserção da criança na cultura, pois a qualidade do que lhe é possibilitado, influirá na maneira como esse novo ser responderá e contribuirá, ativa ou passivamente, ao mundo, favorecendo suas buscas e orientando suas escolhas de forma autônoma.
Escrito por:
Letícia Duque B. Vincenti – psicóloga;
Fabiana Scussolino da Cunha – psicóloga;
Euzileide Alegretti – assistente social.